02 marzo 2010

Relato de Danilo Volpato sobre sua residência no FAC Montevidéu


75 dias em Montevidéu


Os homens exigem ter um oficio. Como se o fato de viver já não fosse um, e o mais difícil!                                                                                                                           Emil Cioran

Ao residir em Montevidéu por dois meses e meio, pude familiarizar-me um pouco com a configuração espacial e temporal da cidade, sua dinâmica e suas idiossincrasias. O fato de minha estadia lá ter coincidido com as eleições presidenciais e com um importante e histórico plebiscito, me impulsionou a fazer uma livre pesquisa que se somou a uma série de fatores, como os percursos constantes que fazia de bicicleta pela cidade, a convivência diária, conversas e muitos mates compartilhados com as pessoas que conheci. Tudo isso, junto com as referências e experiências que levava comigo de outras instâncias e outros artistas, mais a notícia do acidente com o arquivo de Hélio Oiticica, foi o potente acervo material e imaterial trabalhado para dar corpo à exposição 75 vueltas. Com carga mais poética que simbólica, e aguçados mais com os sentidos do desenho e da música do que com preocupações formais e racionais, os trabalhos instalados convidavam os uruguaios a relacionar os elementos dispostos em duas salas da fac – fundación de arte contemporáneo, assim como também realizar os percursos noturnos que propus a todos pela escollera (quebra mar) de Sarandí com a bicicleta luminosa graziella 12-12. Fazer uma residência como artista, a pesar de todos os esforços, dificuldades, adversidades e perdas, e talvez também por isso, é uma possibilidade ímpar de confronto e de diálogo; uma maneira única de concentração que abre espaço para pensar e realizar coisas tão novas para o trabalho de um artista como para o contexto de um lugar.

Danilo Volpato
fevereiro de 2010

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